Hoje em dia parece que virou costume, passar os outros para trás. Todos querem levar vantagem sobre os outros. Há uma epidemia de corruptos por toda a parte. Não basta os ladrões, assassinos e arruaceiros que proliferam a nossa sociedade.
Somos lesados à toda hora. Todos os dias ao fazermos as nossas compras no supermercado pagamos impostos nas mercadorias. E se, descuidarmos, levaremos para a nossa mesa, mercadorias ruins, prazos de validade vencidos e um preço exorbitante. Parece que não tem jeito mesmo.
Se bobearmos nos passam a perna. Toda atenção é pouco. Nos adultos devemos mudar esse sistema. Posso dizer que somos culpados por essa proliferação de desonestos. Se todos, unirmo-nos em uma campanha acirrada, embora demorada, com certeza em longo prazo diminuiremos muito esse mal que nos aflige e nos causa tanto mal.
Certo dia me preparei para ir a um médico. Estava com problema de pele. Pelo telefone marquei consulta com uma médica dermatologista. Claro, sendo uma mulher eu caprichei no visual. Após o banho coloquei um perfume que só uso em caso especial e coloquei uma roupa de morrer. Como se diz no ditado popular "fiquei *nos trinques".
O meu carro também estava legal, estava lavado e perfumado. Até parece que eu ia visitar a namorada. Doente também pode ficar bonito. Quero dizer, bonito nunca fui, a gente pode melhorar um pouco. Como morava nos arrabaldes e a consulta seria no centro, certamente teria que ir de carro.
Chegando no centro da cidade já fui assediado por um flanelinha. Sem que pedisse ele já se escalou para cuidar do meu carro. Não pude contestar, visto que já estava atrasado. Fui forçado aceitar o serviço desse esperto cuidador de carro. Não demorou nem um minuto, quero dizer, caminhei meia quadra quando fui abordado por um pedinte. Este me pegou de bom humor, já marchei com dois *pilas.
Chegando no consultório tive que pagar mais uma taxa e lá se foi mais doze reais. Isto porque tenho um plano de saúde, mas essa taxa é normal segundo a secretária dessa clínica. Tudo bem! Até porque fui prevenido monetariamente. O bom ou ruim não sei mesmo o que vou dizer referente à doutora porque ela era linda, muito bonita mesmo.
O chato era que ela me mandou tirar a roupa, para me examinar. Fiquei realmente muito envergonhado, visto que eu sou feio com roupa e muito mais sem roupa. O fato é que, quando fui me despir, caiu do bolso das s calças várias moedas. Olha! Naquela época essas moedas valiam muito. Por isso fiquei eu, pelado de quatro, catando as moedas espalhadas pelo consultório. A doutora ficou rindo do meu jeito. Tudo bem, pelo menos eu catei todas, não deixei nenhuma para ela. O que adiantou eu vestir a melhor roupa, visto que ela queria mesmo, é me ver nu, sem roupas.
Que médica danada!
Vira de costa, vira de frente, de lado, ela examinou praticamente todo o meu corpo. Eu parecia uma mercadoria da feira, sendo examinado por uma exigente dona de casa. A minha cara ficou vermelha de vergonha e ela não estava nem aí.
Por fim veio o diagnóstico, mas antes vesti a roupa. Nada grave, não contagioso mas difícil de curar totalmente. Foram essas as palavras dessa competente doutora.
Esta profissional aviou uma receita, na qual hávia apenas um remédio, uma pomada. Teria que passar três vezes ao dia. Tudo bem, após as despedidas, fui comprar na farmácia o dito medicamento.
Para minha surpresa a pomada era bem pequenina, tinha apenas 10 gramas de conteúdo. A surpresa maior era o preço, mais de cincoenta reais custava a tal pomada. A malvada doença estava espalhada pelo meu corpo, olha que eu sou pesadinho (bota pesadinho nisso). Praticamente esse medicamento não daria nem uma semana. Então comprei a danada e comecei a usar apenas uma vez por dia, para economizar o bolso, quero dizer a pomada.
Claro, usando assim eu economizei, mas pouco adiantou o tratamento. Fiquei a mesma coisa no que se refere a doença de pele. Todos os meses eu marchava com esse caro medicamento e assim foi passando os meses. Babosa e álcool me ajudavam um pouco nesse tratamento caseiro, porém barato.
Passou um ano e essa tal pomada subiu para quase setenta reais. Aí foi uma paulada no bolso desse pobre e enfermo contribuinte. Mas tudo bem, embora o meu salário não tenha subido nada, tinha que tirar a grana do trago e do churrasco para conseguir comprar essa malvada pomada.
Assim foi passando o tempo, diminui a minha cerveja, o meu churrasco, para continuar comprando o meu remédio, o qual não estava adiantando nada. Mas também como iria adiantar, se eu estava fazendo errado esse tratamento.
Um belo dia, o farmacêutico me disse que tinha um medicamento igual que custava menos da metade do preço, e outra coisa, este continha o dobro de pomada. Era o tal de “Genérico”.
Mas que coisa , eu não sabia que existia esse tal medicamento. Ninguém me avisou. Não sei quem culpar, se a médica, o farmacêutico ou eu mesmo.
Só sei dizer que tive um grande prejuízo durante muito tempo. Fiquei economizando o meu trago, o meu jogo de sinuca, quase sem o meu churrasco semanal e ainda mais, não melhorei patavina de nada.
Mas graças a Deus estou vivo, sem dor e tocando a vida até quando o nosso Pai Celestial quiser.
Para encerrar essa história eu vou dizer uma coisa para você leitor. Eu sou mais uma vítima deste sistema inadequado e injusto.
* nos trinques = bonito
* pila = reais
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